quinta-feira, 25 de abril de 2013

Presidentes do Brasil (1910 - 1914)


Hermes da Fonseca

O marechal Hermes da Fonseca foi o primeiro militar eleito por voto direto na nascente República Brasileira. O gaúcho era sobrinho de outro importante marechal, Deodoro da Fonseca, que fora o primeiro presidente brasileiro. Sua eleição marcou um momento de crise da política do café com leite.
Hermes Rodrigues da Fonseca nasceu no município gaúcho Vila de São Gabriel no dia 12 de maio de 1855. Vinha de uma família de tradição militar, na qual o pai era capitão e seu tio, Deodoro da Fonseca, seria marechal e Presidente da República. Com o apoio do pai seguiu as tradições familiares e entrou para a Escola Militar da Praia Vermelha em 1872, terminou o curso e teve uma carreira militar rápida e brilhante. Em 1905 se tornou General de Divisão e já no ano seguinte, 1906, por ato do então presidente Rodrigues Alves, chegou ao posto de Marechal no dia 6 de novembro.
O marechal Hermes da Fonseca não tinha interesse nenhum em entrar para a política, sempre desenvolveu suas funções militares com muito gosto e afinco, o que o fez ser reconhecido por postura honrosa. Os grupos políticos que apoiavam Hermes da Fonseca insistiram muito para efetivar a candidatura do marechal à Presidência da República, que depois de tanto recusar acabou cedendo. Foi então eleito no dia 15 de novembro de 1910 para o cargo de presidente marcando um período de aliança entre os políticos do Rio Grande do Sul e os militares. A política do café com leite saiu fragilizada em sua eleição, Minas Gerais e São Paulo não chegaram a um acordo para ocupar a presidência e nesta lacuna entrou o militar gaúcho.
O governo de Hermes da Fonseca não teve início fácil, logo no primeiro ano estourou uma revolta na capital da república. Inconformados com a situação da Marinha Brasileira, sobretudo em relação aos castigos físicos que eram aplicados legalmente, um grupo de marinheiros tomou embarcações oficiais da Marinha e apontou os canhões para o Rio de Janeiro exigindo melhores condições de trabalho e o fim dos castigos físicos. Esse fato ficou conhecido como Revolta da Chibata, a qual o presidente resolveu através de acordo com os marinheiros.
Em 1912, no dia 12 de setembro, uma outra revolta, dessa vez de caráter messiânico estourou entre os estados de Santa Catarina e Paraná, na região sul do país. O beato José Maria liderou os revoltosos em busca do estabelecimento de uma “monarquia celestial”, onde não houvesse impostos e propriedades privadas. Ao contrário da Revolta da Vacina, que foi resolvida rapidamente, a Guerra do Contestado só foi se encerrar no governo de Venceslau Brás, em 1915.
No desenrolar de sua política também foram gerados problemas. O presidente Hermes da Fonseca idealizou a chamada política salvacionista, a qual se baseava na intervenção dos militares nos estados destituindo os governadores e substituindo-os por outros indivíduos que seriam nomeados pelo próprio presidente. A justificativa para a política salvacionista era de se afastar a corrupção ou qualquer tipo de falcatrua, mas na prática era um exemplo de como a disputa política, tipicamente latifundiária, se caracterizava na República Velha. Com tais medidas os preceitos republicanos eram absolutamente desrespeitados, só foi capaz de causar instabilidade e mais crise política, gerando várias outras revoltas contra os interventores.
O presidente também criou uma lei estabelecendo que os imigrantes envolvidos com questões de greves seriam expulsos do país, causando novamente revoltas. Por todos esses motivos Hermes da Fonseca passou a maior parte de seu mandato sob estado de sítio.
Mas apesar de todas as crises e revoltas a gestão de Hermes da Fonseca também foi capaz de promover iniciativas pioneiras e realizações administrativas. Foi durante seu governo que a rede ferroviária se expandiu significativamente, que a cultura do trigo ganhou vida, que foi criada a
Escola Brasileira de Aviação em 1913 e que foram construídas Vilas Operárias.
Para o novo processo eleitoral Minas Gerais e São Paulo voltaram a se entender para combater a candidatura de outro gaúcho, Pinheiro Machado, que fora indicado por Hermes da Fonseca. Os partidos republicanos de Minas Gerais e de São Paulo lançaram o mineiro Venceslau Brás que venceu o pleito eleitoral.
Depois de deixar a presidência Hermes da Fonseca candidatou-se para o governo do Rio Grande do Sul, mas recusou assumir o cargo em protesto contra o assassinato de Pinheiro Machado. Mudou-se então para a Suíça, afastando-se da vida política, e só voltou ao Brasil em 1920, fazendo residência em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Passou seus últimos anos entretido na pequena oficina de artesanato que montou em sua casa e faleceu por conta de uma síncope cardíaca no dia 9 de setembro de 1923.

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